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500 anos de Reforma Protestante

Este ano marca o aniversário de 500 anos das famosas 95 Teses de Martinho Lutero, as quais ajudaram a desencadear a fundação da Reforma e a divisão da Cristandade em protestantismo e catolicismo.
As 95 Teses criticavam a venda de indulgências da Igreja Católica, as quais Lutero considerava como uma forma de corrupção. Na época de Lutero, as indulgências haviam evoluído para pagamentos que, segundo se dizia, reduziriam castigos por pecados. Lutero cria que tais práticas só interferiam no arrependimento genuíno e desestimulavam as pessoas de darem ajuda para os pobres. Uma das contribuições teológicas mais importantes de Lutero foi o “sacerdócio de todos os crentes,” o qual indicava que o povo comum possuía tanta dignidade quanto os líderes religiosos.
Menos conhecido é o papel crucial que Lutero desempenhou defendendo a ideia de que as pessoas comuns lessem bastante e de forma satisfatória. Diferente do papado e seus defensores, que estavam produzindo escritos somente em latim, Lutero alcançou os alemães em sua língua materna, aumentando consideravelmente a acessibilidade de suas ideias escritas.
Em minhas aulas de filantropia, o esforço de Lutero para promover a alfabetização é um dos acontecimentos históricos que muitas vezes discuto com meus estudantes.

Anos iniciais

Nascido na Alemanha em 1483, Lutero seguiu os desejos de seu pai de estudar direito. Certa vez, ao ser pego numa terrível tempestade com trovões, ele fez a promessa de que se fosse salvo, se tornaria monge.
De fato, Lutero posteriormente se juntou à austera ordem agostiniana, e se tornou padre e doutor em teologia. Mais tarde ele foi tendo objeções a muitas práticas da Igreja Católica. Ele protestou contra a promoção das indulgências, a compra e venda de privilégios eclesiásticos, e o acúmulo de riquezas consideráveis por parte da Igreja Católica enquanto os camponeses mal tinham com que sobreviver. A lenda diz que em 31 de outubro de 1517, Lutero fixou suas 95 Teses na porta da igreja em Wittenberg, a cidade em que ele tinha sua base.
Ele foi marcado como criminoso por recusar se retratar de seus ensinos. Em 1521, o Papa Leão X excomungou Lutero da Igreja Católica. Seu protetor, Frederico da Saxônia, salvou Lutero de represálias adicionais e o levou em segredo a um castelo, onde ele permaneceu por dois anos.
Foi durante esse tempo que Lutero produziu uma tradução imensamente influente do Novo Testamento em alemão.

Impacto do que Lutero escrevia

A introdução inicial da imprensa de Gutenberg em 1439 possibilitou a disseminação rápida das obras de Lutero em boa parte da Europa, e seu impacto foi inacreditável.
A coleção de obras de Lutero se estende a 55 volumes. Estima-se que entre 1520 e 1526, umas 1.700 edições das obras de Lutero foram impressas. Dos seis a sete milhões de panfletos impressos durante aquele tempo, mais de 25 por cento eram as obras de Lutero, muitas das quais desempenharam um papel vital no avanço da Reforma.
Graças à tradução da Bíblia que Lutero fez, tornou-se possível para as pessoas de fala alemã pararem de depender das autoridades católicas e em vez disso lerem a Bíblia por si mesmas.
Lutero argumentou que as pessoas comuns não só tinham a capacidade de interpretar a Bíblia por si mesmas, mas que ao fazerem isso elas tinham a melhor chance de ouvir a palavra de Deus. Ele escreveu:
“Deixem que as pessoas que querem ouvir Deus falar leiam a Bíblia.”
A Bíblia de Lutero ajudou a formar um dialeto alemão comum. Antes de Lutero, pessoas de diferentes regiões da atual Alemanha muitas vezes experimentavam grande dificuldade de entender umas às outras. A tradução da Bíblia que Lutero fez promoveu um único idioma alemão, ajudando a unir o povo em torno de uma língua comum.

Expandindo a alfabetização

Essa perspectiva, junto com a disponibilidade ampla da Bíblia, mudou a responsabilidade pela interpretação da Bíblia dos líderes para o povo comum. Lutero queria que as pessoas comuns assumissem mais responsabilidade por ler a Bíblia.
Ao promover esse ponto de vista, Lutero ajudou a fornecer um dos argumentos mais eficazes para a alfabetização universal na história da civilização ocidental.
Numa época em que a maioria das pessoas trabalhava na lavoura, ler não era necessário para manter um meio de sustento de vida. Mas Lutero queria remover a barreira de linguagem de modo que as pessoas pudessem ler a Bíblia sem impedimento. Seu raciocínio para querer que as pessoas aprendessem a ler e lessem regularmente estava, a partir de seu ponto de vista, entre os mais fortes imagináveis — quer ler por si mesmos aproximaria os leitores de Deus.
Durante grande parte da vida de Lutero, sua produção estupenda em obras teológicas só foi superada por seus comentários da Bíblia. Ele acreditava que nada poderia substituir encontros diretos e contínuos com a Bíblia, que ele defendia e ajudou a formar por meio de seus comentários detalhados.

Lendo para interpretar a verdade

Lutero tinha muitas razões para favorecer a disseminação da alfabetização. Ele era professor universitário. Suas 95 Teses tinham a intenção de provocar um debate acadêmico. Seus ensinos e conhecimento acadêmico desempenharam um papel crucial no desenvolvimento de sua teologia. Finalmente, ele reconheceu o papel crucial que os estudantes desempenhariam no avanço de seu movimento.
De forma tão poderosa a influência de Lutero reverberou durante séculos que, durante uma visita à Alemanha em 1934, o Rev. Michael King Sr. escolheu mudar seu nome e o nome de seu filho para Martin Luther King. Martin Luther King Jr., homônimo do grande reformador alemão, faria pleno uso do poder da liberdade de expressão para acelerar o movimento de direitos civis nos Estados Unidos.
Ao postar suas 95 Teses, Lutero estava incentivando uma troca forte de ideias. A melhor comunidade não é aquela que suprime a divergência, mas aquela que por meio de argumentação desafia as ideias que acha desagradáveis. Em grande parte, é por causa dessa razão que os fundadores dos Estados Unidos levaram tão a sério a liberdade de religião, associação livre e a proteção de uma imprensa livre.
Lutero confiava nas pessoas comuns para discernirem a verdade. Tudo o que elas precisavam era da oportunidade de interpretarem por si mesmas o que liam.
Traduzido por Julio Severo do original em inglês do site The Conversation: On the Reformation’s 500th anniversary, remembering Martin Luther’s contribution to literacy
Fonte: julio severo

Por Redação RadioJovem
Julio Severo
O Dr. Michael Brown escreveu um excelente artigo em que ele, citando Stephen Nichols, disse que “em 1523 Lutero estendeu a mão com bondade e humildade ao povo judeu, denunciando como a Igreja Católica os havia tratado até então, na esperança de que muitos se tornassem cristãos. Vinte anos depois, quando isso não aconteceu, e quando Lutero, agora velho e doente, havia tido acesso a literatura blasfema contra Jesus escrita por judeus em gerações passadas, ele escreveu seu infame documento ‘Com relação aos Judeus e Suas Mentiras.’”
Lutero e a Bíblia
Você pode ler o artigo completo de Brown, intitulado “Martinho Lutero era antissemita?” aqui.
Outro artigo importante, também intitulado “Martinho Lutero era antissemita?” e escrito pelo Dr. Eddie Hyatt, mostra que Lutero usava muitas palavras ofensivas contra os judeus, contra os muçulmanos, contra os católicos e contra os batistas e que eles também usavam palavras ofensivas contra ele. Você pode conferir o artigo completo de Hyatt aqui.
Brown explica como Adolf Hitler usou as palavras de Martinho Lutero para perseguir os judeus. Claro que Hitler também usava a Bíblia para sustentar o nazismo. De acordo com Ray Comfort, em seu livro “Hitler, God and the Bible” (Hitler, Deus e a Bíblia) Hitler fazia muito uso público da Bíblia. Mas, enquanto Hitler precisava perverter a Bíblia, ele não precisou perverter nenhuma palavra de Lutero contra os judeus. As próprias palavras de Lutero contra os judeus já eram pervertidas — e indesculpáveis.
São indesculpáveis não só porque ele foi o líder máximo da Reforma protestante, mas também dizia ser seguidor de Jesus. “Quem declara que permanece nele também deve andar como Ele andou.” (1 João 2:6 King James Atualizada)
Ao criticar os judeus, Lutero fez o que toda a sociedade europeia, dominada por antigas tradições católicas antijudaicas, já fazia há muito tempo. Aliás, enquanto Lutero estava criticando os judeus, a Igreja Católica os estava também criticando e os torturando, roubando e queimando nas fogueiras da Inquisição.
Apesar de tudo, Lutero e seus seguidores não têm histórico de torturar, roubar e queimar judeus. Eles não têm histórico de inquisição contra judeus.
Os Estados Unidos, a maior nação protestante do mundo e a nação que mais seguiu a orientação de Lutero de colocar a Bíblia no centro de tudo, não tem nenhum histórico de torturar, roubar e queimar judeus. Os EUA não têm histórico de inquisição contra judeus. Pelo contrário, como nação protestante, os EUA têm um histórico incrível de proteção, parceria e amizade com os judeus e um histórico invejável contra a Inquisição.
Mais leitura da Bíblia (que é o valor principal do protestantismo) produz mais defesa dos judeus, embora alguns judeus tenham pensamentos diferentes. Osias Wurman, que é o cônsul honorário de Israel no Rio de Janeiro, demonstrou preocupação com a vitória de Donald Trump nos EUA em 2016 — vitória que foi conseguida em grande parte por meio dos eleitores evangélicos.
Ele falou dessa vitória como se o aumento de conservadorismo evangélico fosse produzir um aumento de sentimentos favoráveis ao Holocausto, quando o contrário é verdade. Os evangélicos americanos não são a favor do Holocausto e da Inquisição.
Contudo, como judeu brasileiro Wurman perdeu uma grande oportunidade de denunciar que está havendo um aumento de posturas pró-Inquisição entre direitistas católicos esotéricos do Brasil. Esses direitistas extremistas defensores da Inquisição rejeitam a atual postura do Vaticano contra a Inquisição eacusam Lutero de “genocida” por suas opiniões antijudaicas, sendo que a Inquisição representa as palavras e ações antijudaicas do catolicismo medieval que foi uma grande influência em Lutero. Esse direitismo pró-Inquisição tem sido totalmente rejeitado pelos evangélicos conservadores, que se unem aos judeus na denúncia contra o Holocausto e a Inquisição.
Seguir o protestantismo conservador americano leva a posturas contra o Holocausto e a Inquisição.
Seguir o catolicismo medieval leva a posturas a favor da Inquisição, que fatalmente leva ao Holocausto.
Lutero seguiu os padrões europeus medievais (que eram totalmente católicos), e quando ele verbalmente atacou os judeus ele não seguiu o exemplo de Jesus, que nunca ensinou seus discípulos a odiar os judeus.
Jesus orientou seus discípulos a orar e tomar cuidado. Ele disse: “Vigiai e orai, para não cairdes em tentação. O espírito, com certeza, está preparado, mas a carne é fraca.” (Mateus 26:41 King James Atualizada) A tentação de Lutero foi forte e sua carne foi fraca. Ele caiu na tentação dominante de sua geração, que era antes e depois hostil aos judeus.
Seguir tendências sociais (todas as personalidades sociais fazem isso) e tradições religiosas (todos os líderes religiosos fazem isso) está em conflito com vigilância e oração.
Na verdade, se Hitler precisasse de um exemplo religioso antijudaico contra os judeus, ele nem precisava de Lutero, pois a Igreja Católica tinha exemplos abundantes de vários séculos de palavras e ações contra os judeus. Tudo o que Lutero disse contra os judeus a Inquisição já praticava em abundância.
Hitler, que era um católico esotérico que astutamente usava imagens esquerdistas e direitistas, usou o exemplo de Lutero porque se não houvesse esse exemplo evangélico, só lhe restariam os abundantes exemplos católicos.
O protestantismo de Lutero buscava se libertar das tradições católicas, e o próprio Lutero só tinha experiência com tais tradições.
Lutero vivia numa Europa 100 por cento católica. Todos os que ele conhecia eram católicos. Todas as opiniões que ele ouvia eram católicas e antijudaicas.
A geração de Lutero era antissemita. Aliás, a Europa inteira onde Lutero nasceu era católica e antissemita.
Lutero tinha para com os judeus a mesma hostilidade de um católico comum (desde os papas até os padres), pois ele havia sido criado como católico. Embora ele e outros protestantes tivessem a mesma hostilidade antijudaica dos católicos, não vimos na prática Lutero e outros protestantes matando judeus. Eles tinham ódios ou preconceitos, mas não praticaram. Eles não tinham inquisições contra os judeus. Eles não torturavam e matavam judeus. Da mesma forma, os judeus tinham seus próprios ódios ou preconceitos contra os cristãos.
Quem quer que condene Lutero por suas palavras contra os judeus inevitavelmente tem de condenar o papa e toda a Igreja Católica daquela época não só por suas palavras, mas também por suas ações, especialmente a Inquisição, contra os judeus.
Um seguidor de Jesus teria pelos judeus o amor que Jesus tinha, e inicialmente Lutero tinha esse amor, pois ele desejava a conversão deles. Mas quando ficou velho e doente, ele mudou de ideia. E a ideia dele se tornou repugnante e odiosa contra os judeus, alegadamente porque ele leu escritos blasfemos de judeus contra Jesus Cristo e os cristãos. Contudo, Hyatt deixa claro que antes de morrer, Lutero voltou à sua atitude mais conciliatória para com os judeus.
Um cristão jamais pode se guiar por ódio. Foi exatamente o ódio aos judeus que sustentou a Inquisição, que saqueava, torturava e matava judeus.
Se Lutero tinha como justificativa para seu ódio antijudaico livros judaicos contra Jesus Cristo, hoje outros encontrariam como justificativa o fato de que Karl Marx era judeu e que Genrikh Yagoda, judeu que fundou e dirigiu a NKVD (sucessora da KGB), foi, de acordo com um escritor judeu no jornal israelense Ynetnews, “o maior assassino judeu do século XX.”
Aliás, em sua estridente propaganda contra o marxismo, Hitler e Henry Ford, o maior magnata americano daquela época, odiavam o marxismo soviéticopelo fato de que os judeus eram majoritariamente socialistas na Alemanha e também pelo fato de que eles ocupavam posições proeminentes de liderança na União Soviética.
Seja como for, o Lutero velho e doente que escreveu um livro contra os judeus cometeu um pecado grave. Discordo totalmente de todas as ideias loucas dele do Lutero velho e doente contra os judeus.
No entanto, precisamos ser justos e também discordar das ideias e palavras loucas dos judeus contra Jesus Cristo e os cristãos.
O Talmude judaico e a literatura rabínica são totalmente contra os cristãos, tratando-os de forma desprezível. O Talmude pode ser o equivalente judaico do livro de Lutero, mas foi escrito muito antes. Aliás, o Talmude é muito mais nocivo, pois embora nenhum luterano e nenhum evangélico coloque o livro antijudaico de Lutero em pé de igualdade com a Bíblia, os judeus religiosos colocam o Talmude num patamar muito próximo de suas Escrituras Sagradas (que é o Antigo Testamento dos cristãos).
Enquanto nenhuma igreja evangélica tem em seu templo o livro antijudaico de Lutero nem o lê do púlpito, as sinagogas têm o Talmude e o leem junto com as Escrituras.
De acordo com o livro “Jesus in the Talmud” (Jesus no Talmude), escrito por Peter Schäfer, publicado pela Princeton University Press (Editora da Universidade Oxford) em 2007, o Talmude e a literatura rabínica tratam Jesus como um bruxo depravado filho de uma prostituta.
Citando o Talmude, Schäfer disse: “A mais bizarra de todas as histórias acerca de Jesus é aquela que conta como Jesus está no inferno junto com Tito e Balaão, arqui-inimigos notórios do povo judeu… O destino de Jesus consiste em sentar-se para sempre em cima de excremento fervendo” (página 13).
Schäfer disse que, de acordo com o Talmude, Maria, “Depois que foi expulsa por seu marido e enquanto estava vagando de uma maneira vergonhosa, ela secretamente deu à luz Jesus. E… porque ele [Jesus] era pobre, ele se empregou como trabalhador no Egito, e tentou certos poderes de bruxaria dos quais os egípcios se orgulham; ele voltou cheio de presunção, por causa desses poderes, e por causa deles se deu o título de Deus” (página 19).
O Talmude, de acordo com Schäfer, disse: “Os seguidores de Jesus, que afirmam ser o novo sal da terra, não são nada mais que a placenta pós-parto da prole imaginada da mula, uma ficção de uma ficção” (página 24).
Enquanto os protestantes em geral e os luteranos em particular rejeitam as opiniões antijudaicas de Lutero, os judeus religiosos não fazem nenhum esforço para rejeitar o Talmude anticristão.
Contudo, as palavras loucas do Talmude contra os cristãos e as palavras loucas de Lutero contra os judeus estão apenas no campo das ideias. Se fossem implementadas, se os luteranos tivessem agido como Genrikh Yagoda, seria repugnante. Daí, mesmo defendendo Lutero e os judeus, não concordo com eles em tudo, por causa de suas ideias loucas uns contra os outros.
A Inquisição, é claro, foi pior, pois foi a implementação de ideias loucas. Por isso, sou contra a Inquisição e louvo o histórico notável dos Estados Unidos no combate à propaganda pró-Inquisição.
Não há, no luteranismo e no protestantismo, uma tradição de Inquisição de tortura e morte contra os judeus, embora haja o livro de Lutero, o qual tem antijudaísmo em palavras. No catolicismo há em palavras e ações, e a Inquisição é uma das grandes provas inegáveis.
O protestantismo produziu os Estados Unidos, que se tornaram o maior abrigo de judeus que o mundo já viu. E o Brasil, o maior país católico do mundo, tem um histórico de Inquisição, que torturou e matou muitos judeus brasileiros. Aliás, os primeiros judeus de Nova Iorque no século XVII eram brasileiros que haviam fugido da Inquisição no Brasil. O primeiro cemitério judaico de Nova Iorque é composto desses judeus brasileiros perseguidos pela Inquisição.
A proposta original de Lutero era valorizar a Bíblia acima de tudo. Os Estados Unidos fizeram exatamente isso. O fruto protestante nos EUA não foi só um amor cultural imenso pela Bíblia, mas também uma tolerância aos judeus nunca antes vista.
Os EUA, que foram fundados por uma população 98 por cento de protestantes, seguiram a Bíblia, como Lutero indicou, mas não seguiram os pecados antijudaicos de Lutero.
Com suas imperfeições, pecados e até opiniões pesadas, Lutero buscava muitas vezes apontar para Cristo. Se um evangélico colocar Lutero acima de Jesus, ele não será melhor do que os papas a quem Lutero criticava.
O evangélico verdadeiro deve imitar Jesus e o Evangelho, não Lutero e outros homens. Se ele imitar Lutero, ele falará muitos palavrões, pois esse era um dos pecados de Lutero. E ele imitará a postura insana de Lutero contra os judeus, postura totalmente imitada dos costumes católicos comuns de sua época.
Evangélico que imita os pecados, a boca suja e as opiniões pesadas de Lutero não é seguidor de Jesus.
No ano passado, a Igreja Luterana da Noruega denunciou os escritos antijudaicos de Lutero. Mais igrejas da Reforma precisam seguir o exemplo da Igreja Luterana da Noruega.
Lutero deu um bom exemplo ao denunciar a corrupção da hierarquia da Igreja Católica, que tem trabalhado para consertar alguns desses problemas. Mas ele acabou imitando um dos piores pecados da Igreja Católica. Agora, seguindo o exemplo dele mesmo de dar preeminência à Bíblia, as igrejas da Reforma têm a obrigação moral e espiritual de denunciar as opiniões antijudaicais que se apossaram de um Lutero velho e doente.
Contudo, o bom fruto permanente de Lutero é muito melhor do que seu livro anti-judaico momentâneo: Por causa de Lutero, os EUA nasceram protestantes e se tornaram o melhor amigo e refúgio dos judeus e Israel.
Outro bom fruto foi o Rev. Richard Wurmbrand, um pastor judeu luterano que escreveu vários livros contra o comunismo.
Versão em inglês deste artigo: Luther and the Jews
Fonte: www.juliosevero.com


Por Redação RadioJovem


10-testes

500 anos de Reforma Protestante

Em comemoração aos 500 anos de Reforma Protestante, o Voltemos ao Evangelho trará artigos semanais e biografias de diferentes reformadores: Girolamo Zachi (jan), Theodoro Beza (fev), Thomas Cranmer (mar), Guilherme Farrel (abr), William Tyndale (mai), Martin Bucer (jun), John Knox (jul), Ulrico Zuínglio (ago), João Calvino (set) e Martinho Lutero (out).

Nota de tradução e edição: O debate a seguir é um breve excerto e edição da obra de Melchior Kirchhofer, “A Vida de Guilherme Farel, o Reformador Suíço”, modernizada e disponibilizada em inglês pelo excelente William H. Gross, editor do precioso website OnTheWing.org

A edição fez-se necessária a fim de tornar a leitura mais agradável e compreensiva aos leitores de fala portuguesa. Para ter acesso a essa obra na íntegra clique aqui.

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Farel elaborou as seguintes dez proposições que seriam objeto de disputa no debate
de Lausanne:
  1. A Escritura não reconhece outra justificação senão pela fé em Cristo, oferecida de uma vez por todas. Quem busca o perdão dos pecados por qualquer outra forma, oferta ou purificação, praticamente nega a eficácia desta oferta.
  2. A igreja não reconhece nenhum outro Sumo Sacerdote, Senhor, Mediador ou Cabeça da igreja além daquele que ressuscitou dentre os mortos e foi exaltado à destra do Pai.
  3. Não há outra igreja de Deus além daquela que recebe a sua redenção somente por meio da morte do Senhor; crê somente em sua Palavra e confia firmemente nela; sabendo que, desde a sua ascensão, ele preenche, preserva, governa e vivifica tudo pelo poder do seu Espírito.
  4. Essa igreja, a única reconhecida por Deus, faz uso das ordenanças designadas por Cristo, o batismo e a ceia do senhor, como os símbolos ou sinais das realidades invisíveis da graça divina.
  5. Essa igreja não reconhece outros ministros além daqueles que administram a palavra e essas santas ordenanças.
  6. Essa igreja não reconhece nenhuma outra confissão ou absolvição além do que é feita a Deus, e recebida somente da parte daquele que pode perdoar os pecados.
  7. Essa igreja não adota outra forma de adoração além da que está de acordo com a Palavra de Deus e fundada no amor a Deus e ao próximo; por isso, ela rejeita inúmeras cerimônias, imagens, etc., que deformam a religião.
  8. Essa igreja reconhece apenas um magistrado civil, designado por Deus, necessário para a paz do país, e a quem todos são obrigados a ser obedientes, na medida em que as suas ordens não são contrárias à vontade de Deus.
  9. Essa igreja também ensina que o casamento é ordenado por Deus para todos os homens, e não se opõe à santidade de qualquer ordem ou posição na vida.
  10. No que diz respeito às coisas consideradas indiferentes, tais como carnes, bebidas e dias de festas, o cristão tem a liberdade de observá-los de acordo com as regras da prudência e da caridade.
Antes da chegada da delegação de Berna, Farel dirigiu-se à assembleia e procurou prepará-los para uma correta consideração dos assuntos do debate. Ele aconselhou todos os presentes a orarem para que Deus os iluminasse e concedesse a vitória à verdade; e que ouvissem ambos os lados imparcialmente e examinassem cuidadosamente os argumentos. 

Ele exortou os clérigos e pregadores a terem uma suprema consideração a Jesus Cristo, e a serem zelosos, não por sua própria reputação, mas pelo bem-estar dos seus rebanhos. Ele almejava, pelos argumentos mais convincentes, induzir todos os que o ouvissem a se esforçarem pela glória de Deus e pela salvação das almas.

E ele expressou de forma clara a inevitável miséria daqueles que negligenciam o Salvador. Depois de aconselhá-los a um uso moderado da liberdade cristã, e expressando os seus devotos desejos de paz e unanimidade, ele lhes exortou a buscar e consolar os pobres e aflitos, e ministrar às suas necessidades, tanto espirituais quanto temporais. 

E (aludindo à doutrina papista) os exortou a fazerem as suas peregrinações a santos como esses, como sendo as verdadeiras “imagens de Deus”.

Chegado o dia do debate de Lausanne, Farel iniciou a reunião e foi seguido pelo oficial de justiça que declarou às pessoas presentes o objeto da disputa: dissipar os distúrbios que haviam surgido no país por causa da religião. 

Ele conduziu um juramento aos presidentes, que eles ouviriam ambos os lados com imparcialidade, apaziguariam todas as contendas e permitiriam que o apelo final fosse feito somente às Escrituras.

As duas partes estavam frente a frente. Por um lado, Farel, Viret, Calvino, Caroli, Fabri, Marcourt e Le Comte; e, do outro, o clero da catedral, os dominicanos e franciscanos de Lausanne, os agostinianos de Thonon e todo o sacerdócio dos distritos conquistados. 

Farel e Viret tomaram a parte mais proeminente na disputa. Calvino falou pouco, mas o suficiente para o propósito. Seu principal oponente era o francês Claude Blanchrose, um dos médicos do rei que tinham se estabelecido em Lausanne.

Continua na Parte 2.

Por Redação RadioJovem

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